sábado, 8 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
A Visita do Bispo D. Luiz de Brito à Vila de Primavera em 1902.
Escrevem-nos
de Primavera, povoado pertencente ao município de Amaragy, em data de 27 de
janeiro:
“Bem
grata deve ter sido ao nosso presado bispo a recepção que lhe fizeram os
primaverenses, no dia 24 do corrente.
Mais
de duas mil pessoas, precedidas da banda musical da localidade, foram pela
manhã esperar o trem especial da usina Santos
Dias, em que vinham o illustre prelado
e os srs. coronel Santos Dias e sua exma. Família, barão de Contendas e outras
pessoas distinctas da Escada e de Amaragy.
Ao
chegar o comboio espocaram foguetes, houve repiques de sinos e s. exc. seguiu d´alli,
acompanhado pela numerosa multidão, atravessando a rua do Commercio
festivamente ornamentada, até a capella.
Nesse
templo s. exc. fez elequente alocução e ao terminar abençoou a todos os
ouvintes.
O
pequeno Raul, filho do negociante d´aqui, capitão José Amaro da Costa e Silva,
saudou, em phrases comovidas, s.exc., que o abraçou carinhosamente, recitando
em seguida uma inspirada poesia o intelligente menino filho do sr. Guilherme
Pinto, Gustavo, que se achava aqui passando as férias em casa do sr. Costa e
Silva, seu parente, e que tambem foi abraçado pelo exm. Bispo.
Em
seguida a pequena Beatriz, sobrinha do sr. Costa e Silva, representando outras creanças
do logar, ofertou um lindo bouquet de
flores naturais a D. Luiz, que recebendo-o, agradeceu com a amabilidade que lhe
é peculiar.
Au
sahir s. exc. da capella para tomar o trem que o devia conduzir á estação de
Frexeiras ainda foi seguido pelo povo que o saudava, deixando a todos a sua
benção e as suas despedidas.
A
musica tambem acompanhou-o misturando o som de seus instrumentos às manifestações
de alegria da população deste povoado.
Doces
recordações nos deixou o exmo. bispo em sua visita a este logar, cujos
habitantes se orgulharam com a presença de tão distincto sacerdote.”
Notícia
publicada no jornal “A Província” de 8 de fevereiro de 1902.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
A Iluminação a Álcool da Cidade de Amaraji em Janeiro de 1904.
Eram
seis horas da tarde quando numeroso préstito, puxado pela philarmonica de
Aripibú, dirigiu-se á prefeitura afim de saudar o prefeito coronel Liberato
José Marques.
Fizeram-se
ouvir em nome dos manifestantes os srs. dr. Josino da Camara Lima, Eduardo de
Carvalho, drs. José Bezerra e João de Macedo França, que foram muito
aplaudidos.
Depois
de curto intervallo falou ainda o sr. Eduardo de Carvalho, apresentando duas
gentis senhoritas, filhas do prefeito, ao dr. José Bezerra, as quais entregaram
a este ultimo dois artísticos bouquets
como uma demonstração de apreço ao illustre propagandista da illuminação pelo alcool.
O dr.
José Bezerra agradeceu a delicada oferta.
Em
seguida foram acesas as vinte lampadas das Monopole, que continuam dando á
noite um attrahente aspecto á sede deste municipio.
Durante
o acto, a philarmônica de Aripibú tocou varias peças, sendo grande o numero de
assistentes, entre os quais se notavam um grande numero de agricultores e negociantes.
Foram
seguidos vivas ao prefeito e ao dr. José Bezerra.
Eram 10
horas da noite quando se dissolveu a agglomeração, depois de ter usado da
palavra o dr. José Bezerra, agradecendo o concurso de todos áquella festa de
trabalho e declarando esperar que, em breve tempo, o querosene não entrará mais
naquelle municipio, onde o liquido nacional, depois de bem conhecido com a illuminação
publica, que se acaba de inaugurar, triunphará em todas a linha.
Nessa
ocasião o illustre concelheiro José Carneiro communicou ao dr. José Bezerra e ás
demais pessoas presentes, pedindo-lhes tornassem bem publico, que em Amaragy
gosarão o abate de 10% em todos os
impostos municipais as casas de commercio que foram inteiramente illuminadas a alcool.
Na residencia
do coronel Liberato servio-se depois, ás 10 e meia, um lauto jantar, sendo-se au dessert brindados a família do mesmo
coronel e o padre Bento que se achava presente.
Terminou
a festa ás 11 horas, reinando sempre muita ordem e entusiasmo.
Publicado no jornal “A
Província” de Recife no dia 3 de janeiro de 1904.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Amaragy Civiliza-se.
Figueiredo Pimentel,
o saudoso escritor que criou a elegância carioca, durante o tempo de sua nobre
campanha, tinha uma frase que se tornou celebre: o Rio civiliza-se. Pois bem,
agora um prefeito de Amaragy, em Pernambuco resolveu ser um novo Figueiredo
Pimentel. Não sabemos se esse funcionário tem o talento e escreve como o nosso
sempre lembrado companheiro de trabalho...
Mas o facto é que
adotou por divisa de sua administração isto: Amaragy civiliza-se. Nesse sentido
não tem desfallecimento nem vacillações. Ora, na séde do antigo municipio de
Cambão Torto, hoje Amaragy, existe uma praça que é Bois de Boulogne da zona.
Aos domingos aquele local é maravilhoso.
Todas as bellezas,
todas as elegancias cambãotortense lá se reunem, havendo um uma verdadeira “big
parede” mundana, com imenso gaudio do Prefeito, que a tudo assiste encantado.
Mas o Prefeito de Amaragy não concorda com a indumentaria de certos “dandies” que
por lá surgiram. Por isso, baixou um decreto impondo as seguintes condições:
quem se apresentar vestido, calçado, de collarinho e gravata, chapeu de cidade,
não paga nada: quem se apresentar descalço ou sem colarinho e gravata, paga dez
cruzados: quem se apresentar nu da cintura para cima paga dez cruzados: quem se
apresentar despido paga 20 cruzados e vai para a Cadeia.
Como se vê, Cambão
Torto civiliza-se. O Prefeito está dando a seus collegas um bello exemplo a
imitar. Dentro em pouco, S. José do Amaragy poderá em “chic”, concorrer com o
Rio de Janeiro.
O prefeito da época
era Fausto da Silva Pontual.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Visita do Jornal "A Província" a Amaraji em Outubro de 1928.
A
uns cento de doze quilômetros ao sudoeste, situada a 8º 26, de Lat, Sul e a 7º e
48 de Long, Or.do Rio de Janeiro a cidade de Amaragy está cercada por uma zona agrícola
uberrima e é sede do municipio e da comarca do mesmo nome bem como da freguezia
de São José da Boa Esperança.
A
Araujopolis como lhe apelidou alguem olha para o ocaso recebendo sempre em
cheio os raios beneficos do sol e se envaidece da salubridade de seu clima especialmente
na ultima phase do anno. A sua temperatura media é de 20 graos centigrados na
estação chuvosa e 24 no estio, na a incomodando jamais nem um frio intenso e
nem tampouco um sol ardente que abrasa e amollenta. A sua vida sanitaria apesar
de não possuir uma higyene rigorosa é bôa não se verificando jamais casos epidemicos
de prognostico grave. Para corroborar estas impressões sobre as condições de
salubridade de Amaragy, basta lembrar que, quando a epidemia hespanhola
assolava o mundo inteiro, espalhando o luto e a dor, dois óbitos nessa terra
não foram verificados.
Seu territorio comprhendendo 40 kilometros
quadrados com uma população relativa de 625 habitantes por k. q. é geralmente
acidentado: salientam-se na sua geografia, as serras dos Amaragys, da Amora, do
Ceu, do Vento, Queimada, Pixanana com uma admirável e colossal pedra, e a dos
cocos com uma altitude de 700 a 800 metros. A cidade de Amaragy está situada
numa posição topographica excellente que torna fácil adaptal-a ás exigencias de
uma cidade moderna e aprazivel apesar de não ser plana. O que sentimos, nós amaragyenses,
é não poder gosar dessa privilegiadas
condições physiographicas, por falta ainda de calçamento, de avenidas, de uma
bôa illumnação. Todavia, os poderes municipais de há muito veem de empenhando
em melhorar a cidade, já estando em andamento os esgotos nas principais ruas
feitos em cimento e pedras, bem como, bem como os trabalhos para a iluminação que
prosseguem animados.
Amaragy,
apesar de sua simplicidade e modestia possui estação de estrada de ferro, cadeia
publica, um cemitério recentemente construído, mercado publico, cujos trabalhos
se acham aliás interrompidos, igreja-matriz, que promete ser um dos mais belos
templos da religião catholica no interior de nosso Estado, o Collegio São José,
fundado em fevereiro do corrente anno e que já possui um regular numero de alunos.
Escrevendo
estas linhas, temos por fim alimentar as nossas largas possibilidades de
progresso e concorrer com o nosso estimulo para que os homens publicos de
Amaragy dediquem os seus melhores esforços ao adiantamento desta terra
futurosa. Amaragy, Set. 1928. J. C. S. P. (Provavelmente, Jorge Coelho da
Silveira, professor).
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